segunda-feira, julho 04, 2005

Quando já foi dito o que nos apetece dizer

Falta de motivo

Sinto ao longe
o desejo de escrever este poema
e aqui perto,
do lado de dentro de mim,
falta-me um motivo…
Estou cansado
de gemer aquilo que não vivo,
por conta do que sofro realmente…
Já não sei ver diferente
qualquer recanto
que o meu desencanto
não tenha passeado,
não tenha sentido à força de o dizer…
Nem há mentira mascarável de verdade…

Ainda possuo a verdade,
-se ser o que se é, é ser verdade…-
mas esta não a conto:
guardo-a … para estar guardada
quando converso a sós,
quando a minha voz
supõe querer falar comigo…

E no interior
a minha voz teimosamente
vai desfiando contas de verdade minha…
Aquilo que ao eu me digo
e ouço
tem de ser, e só, para nós!



Jorge de Sena, in Obras, Vol. 5º

3 Comentaram:

Blogger Å®t_Øf_£övë disse...

lique,
Gostei bastante de ler este poema que desconhecia.
Obrigado por o partilhares connosco.
Boa semana.
Bjs.

10:16 da tarde  
Blogger TMara disse...

Jorge de Sena com a sua fala smp forte e tmb nossa. Lê-se o poema e sente-e k podia ser nosso, podíamos tê-lo escrito....E essa voz k fala por dentro de nós, é a verdadeitrs voz. Nossa. Só nossa. Bom resto de semana.Bjs e ;)

8:14 da manhã  
Blogger Márcia Maia disse...

Nem imagina o quanto gosto dele, Lique. Bom ler mais esse poema, que não conhecia.

Um beijo.

8:04 da tarde  

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