quinta-feira, agosto 18, 2005

Um poema de vez em quando (II)

Magnolia.jpg



Do ciclo das intempéries

7.


Magoa ver a magnólia cair. Acredita.
O relâmpago vem
Sobre ela. A tempestade.
As plantas são tão frágeis como as cabanas dos homens.
Somos muito frágeis os dois neste poema
Com o relâmpago, a cabana, com a magnólia aos ombros
Sem nenhum terreno pulmonar intacto
Para depois de nos olharmos um de nós dizer
Plantemo-la aqui – aqui
É o meu pulso, a minha boca
É a retina com que procuras, é a madeira da porta
Com que te fechas em casa. Prometo-te
Eu nunca vou fechar os olhos
As mãos.



Daniel Faria, in Dos Líquidos

5 Comentaram:

Blogger paper life disse...

Olha, um autor que desconhecia, ke vergonha!

Muito bonito. Bjs

:)

10:23 da tarde  
Blogger Lina disse...

Tb não conhecia e é lindo este poema!
Fiz um interregno nas férias e aproveitei para postar nos meus blogues de estimação e aproveitei também para te vir desejar uma boa semana.
Beijokas

5:06 da tarde  
Blogger Márcia disse...

Gosto muito de Daniel Faria, que vou descobrindo mais e mais, pelas suas mãos.

beijo grande, amiga, daqui.

12:42 da manhã  
Blogger Jean disse...

"Um poema de vez em quando"
Cette photo est vivante ,j'ai l'impression qu'elle est devant moi .

11:12 da manhã  
Blogger just-a-copywriter disse...

...bonito. Comovente.

Um beijo,
Fernando Contumélias

5:55 da tarde  

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