"O segredo dos punhais voadores" - o amorA minha reacção, quando me falaram de ir ver “O segredo dos punhais voadores” foi de dizer que não estava nada virada para artes marciais, lutas de espada e argumentos idiotas. Não tinha visto “Herói”, o filme anterior mais conhecido deste realizador. Portanto a minha referência (bastante boa, aliás) do cinema chinês actual vinha apenas de “O tigre e o dragão”, de Ang Lee, do qual tinha gostado mas que acreditava ser uma pérola rara. Ignorância pura sobre a realidade do cinema chinês (ou de origem chinesa, porque estes são filmes “made in Holywood”).
Acabei por ir ver o filme, claro, ou não estaria para aqui a falar sobre ele. E, no dia seguinte vi o DVD do “Herói”. Foi uma dose reforçada. E… adorei! Dito isto assim, parece um comentário idiota. Mas o facto é que adorei, mesmo.
"Herói" - o amor - azulAcho que, num filme, não conta apenas o argumento, a interpretação, etc. Há algo que nos pode tocar de forma imediata que é a estética do filme. A imagem, a cor, o cenário, até o vestuário. A forma como a câmara nos mostra cada plano.
A estética destes dois filmes é absolutamente extraordinária. Existe um apuro tal em termos de cor e “encenação” de cada plano que uma cena de acção se diria composta de vários quadros em que tudo é perfeito.
"Herói" - negro
"Herói" - vermelhoDestaco fundamentalmente no “Herói” a narração da história em variações cromáticas: o preto, o vermelho, o verde, o azul e o branco (a verdade é branca…). As cores harmonizam-se no vestuário, na paisagem, nos pormenores do cenário. Um sonho de imagem.
"Herói" - verde
"Herói" - brancoEm “O segredo dos punhais voadores” a cena da luta na floresta de bambu, toda ela também em tonalidades de verde e ambiente de semi-nevoeiro, onde a perícia das espadas corta os bambus e a folhagem num bailado de uma beleza incrível, quase vale todo o filme. Mas há também a dança de Mei e o jogo do eco que proporcionam momentos de excepcional encanto.
"O segredo dos punhais voadores" - Na floresta de bambu
"O segredo dos punhais voadores" - Jogo do ecoNão pareço estar a falar de um filme de artes marciais? Não, de facto. Nestes filmes, a beleza vai muito para além da estética bem coreografada das artes marciais ou até do maravilhoso trabalho com o fio que nos dá a sensação de que as personagens voam. Até a morte quando ocorre é estilizada e o sangue (aliás quase inexistente) um elemento cromático com a mesma importância dos outros.
"O segredo dos punhais voadores" - Dança de MeiO que, fundamentalmente, me cativa é o apuro estético, os argumentos baseados em histórias tradicionais chinesas, as belíssimas histórias de amor. Filmes para sonhar. Quem não acredita, vá ver.